A escrita da cidade: metodologias, apropriações e traduções do urbano
Palavras-chave:
apropriação; literatura contemporânea; escrita experimentalResumo
A função copiar e colar é, sem dúvidas, o comando mais popular dos computadores atuais, e se destaca por representar a viabilidade de um novo dinamismo para a cultura de massas, possibilitando apropriação e ressignificação de materiais diversos já produzidos. O escritor espanhol Enrique Vila-Matas nos lembra que “o artista contemporâneo deve ser radicalmente não original” (Vila-Matas, 2018). Ou seja, a pesquisa da qual trata este artigo parte da tensão que os métodos apropriativos ganham na atualidade, entendendo que o mundo está atolado de tanto passado, e que a construção das narrativas necessita se reciclar, apropriando-se desse material já produzido, para então ressignificar a realidade, desestabilizando-a e a modificando por meio da ficção. As metodologias dessa pesquisa se sustentam por meio de dois caminhos simultâneos para tensionar e colocar em prática essa produção contemporânea. Um deles é buscar na literatura, e nas artes, metodologias e experiências de narrar que colaborem com os modos de ver a cidade e que tenham a lógica de apropriação subjacente ao seu processo. O outro, aplicar essas tentativas de leitura da cidade, bem como suas traduções de experiências urbanas, em experimentos práticos, em constante jogo entre os conceitos de apropriação e tradução. Por fim, essa é uma inquietação incansável de ler a cidade de São Paulo, não de novas, mas de diferentes formas.
Referências
ARRUDA, Margareth P. Marcel Duchamp: impressões em conserva. 1996. Dissertação (Mestrado em Artes) – Escola de Comunicações e Arte, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1996.
BAROSSI, Joana. A cidade (d)escrita à exaustão: do inventário urbano chamado comédia humana ao esgotamento de um lugar parisiense. São Paulo: Espaço Narrados, 2019, p. 1120-1148.
BARTHES, Roland. A morte do Autor. In: BARTHES, Roland. O rumor da língua. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2004.
BARTHES, Roland. O império dos signos. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2016.
BEIGUELMAN, Giselle. Copiar é preciso, inventar não é preciso. Revista Celeste, 27 set. 2011. Disponível em: https://celeste.art.br/copiar-e-preciso-inventar-nao-e-preciso/. Acesso em: 8 ago. 2020.
BENJAMIN, Walter. A obra de arte na era da reprodutibilidade técnica. In: BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política – volume I. São Paulo: Brasiliense, 2012.
BENJAMIN, Walter. O autor como produtor. In: BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política – volume I. São Paulo: Brasiliense, 2012.
CALIXTO, Benedito. Retrato de Dom Pedro I. 1902. Óleo sobre tela, 141 cm x 100 cm.
COELHO, Frederico; GASPAR, Mauro. Manifesto da Literatura Sampler. Revista da APG PUC-Rio, n.1, 2006, p.115-123.
DERRIDA, Jacques. Essa estranha instituição chamada literatura [Entrevista com Jacques Derrida]. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2014
FOER, Jonathan S. Tree of Codes. Londres: Visual Editions Books, 2010.
FREITAS, Angélica. Três poemas com o auxílio do Google. In: FREITAS, Angélica. Meu útero é do tamanho de um punho. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.
GANDOLFI, Leonardo; GARCIA, Marília. Trânsito: versão compacta e dublada de Traffic. São Paulo: LunaParque, 2016.
GARCIA, Marília. Parque de ruínas. São Paulo: LunaParque, 2018.
GARCIA, Marília. Teste de resistores. Rio de Janeiro: Editora 7 Letras, 2021.[
GOLDSMITH, Kenneth. Assume No Readership. [Entrevista concedida ao Louisiana Channel]. 2014. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=FAJRQJGc7DU&t=850s. Acesso em: 24 jun. 2021.
GOLDSMITH, Kenneth. Seven American Death and Disasters. Nova Iorque: PowerHouse Book, 2013.
GOLDSMITH, Kenneth. Traffic. Nova Iorque: Make Now, 2007.
GOLDSMITH, Kenneth. Uncreative Writing: Managing Language in the Digital Age. Nova Iorque: Columbia University Press, 2001.
GROS, Frédéric. Caminhar, uma filosofia. São Paulo: Ubu Editora, 2021.
IWASSO, Vitor R. Copy/ paste: algumas considerações sobre a colagem na produção artística contemporânea. ARS, v.8, n.15, 2010, p.36-53.
MALLARMÉ. Un coup de des jamais n’abolira le hasard. 1897. Disponível em: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k71351c/f3.item.texteImage.zoom. Acesso em: 11 ago. 2020.
MANGUEL, Alberto. A musa da impossibilidade. Revista Serrote, n. 6, p. 33-47.
MARQUES, Ana Martins. Como se fosse uma casa: uma correspondência. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.
MARQUES, Ana Martins. Risque essa palavra. São Paulo: Companhia das Letras, 2021.
MELLO, Ramon. Poemas tirados de notícias de jornal. Rio de Janeiro: Móbile, 2012.
OPERAÇÃO de Risco. 25 dez. 2021. 1 vídeo (43 min. 19 s.) Publicado pelo canal RedeTV! Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=EjKm9aLjc-Q&t=307s. Acesso em: 8 jan. 2022.
OPERAÇÃO de Risco. 21 maio 2022. 1 vídeo (43 min. 6 s.) Publicado pelo canal RedeTV! Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=rbTQlYDqrVM. Acesso em: 5 jun. 2022.
PALLIÈRE, Arnaud J. Panorama da Cidade de São Paulo. 1821. Óleo sobre tela, 36,50 cm x 96,80 cm.
PEREC, Georges. A arte e a maneira de abordar o seu chefe para pedir um aumento. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
PEREC, Georges. An attempt at exhausting a place in Paris. Cambridge: Wakefield Press, 1975.
PERET, Flávia. Instruções para montar mapas, cidades e quebra-cabeças. Belo Horizonte: Independente, 2021.
PERET, Flávia. Uma mulher. Belo Horizonte: Independente, 2019.
PERLOFF, Marjorie. O gênio não original: poesia por outros meios no novo século. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2013.
SILVA, Gabriel C. da Costa e. Entre passagens: registros de presença e tempos de uma experiência. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Arquitetura e Urbanismo) – Escola da Cidade, São Paulo, 2019.
SMITH, Roberta. Douglas Huebler. The New York Times. Disponível em: https://www.nytimes.com/1997/07/17/arts/douglas-huebler-72-conceptual-artist.html. Acesso em: 8 ago. 2022
STIGGER, Veronica. Delírio de Damasco. 2.ed. Florianópolis: Cultura e Barbárie Editora, 2012.
TORRES, M. H. C. Resenha: Tradução de Lance de Dados de Stéphane Mallarmé, tradução Álvaro Faleiros. São Paulo: Ateliê Editorial, 2014.
VILA-MATAS, Enrique. O artista deve ser não original, diz Vila-Matas. [Entrevista concedida a Joca Reiners Terron]. Folha de S.Paulo, 25 ago. 2018. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2018/08/o-artista-deve-ser-nao-original-diz-enrique-vila-matas.shtml. Acesso em: 24 jun. 2021.
VILLA-FORTE, Leonardo. Escrever sem escrever: a literatura de apropriação. 2017. Dissertação (Mestrado em Literatura, Cultura e Contemporaneidade) – Programa de Pós-Graduação em Letras, Pontifícia Universidade Católica, Rio de Janeiro, 2017.
VILLA-FORTE, Leonardo. O autor como apropriador. Revista Serrote, Instituto Moreira Salles, n. 23, ago. 2016. Disponível em: https://www.revistaserrote.com.br/2016/08/o-autor-como-apropriador-por-leonardo-villa-forte/. Acesso em: 24 jun. 2021.
VILLA-FORTE, Leonardo. Voz e expressão na escrita recriativa. Revista Scriptorium, PUC-RS, v.3, n.1, p.58-67, 2017.
WAMPOLE, Christy. A ensaificação de tudo. Revista Serrote, jun. 2013. Disponível em: https://www.revistaserrote.com.br/2013/06/a-ensaificacao-de-tudo-por-christy-wampole/. Acesso em: 25 nov. 2021.