Projetar na Encruzilhada: carnaval, arquitetura negra e representação no Concurso Centro Cultural Rio-África
Resumo
Este artigo apresenta o projeto intitulado “Na Encruzilhada, o Mar Atravessa” elaborado para o Centro Cultural Rio-África, desenvolvido no contexto do primeiro concurso público internacional de arquitetura destinado exclusivamente a arquitetos e urbanistas negros naturais do Brasil e africanos nacionais de Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (Palop). A proposta parte do lugar das Encruzilhadas com ponto fundamental no cruzamento de referências simbólicas-espaciais, a partir do arquétipo de figuras das religiões afro-brasileiras e africanas como Exu, para estruturar um espaço de memória, cultura e fabulação urbana. Também nos interessou, desde o início, pensar as narrativas do Carnaval não como metáforas estéticas-decorativas, mas como método de construção espacial, política e de memória. Entre lugares comuns do projeto como a praça, áreas de convivência e exposições, o projeto articula corporalidade, ritmo, festa e cosmologias como fundamentos projetuais, convocando outras epistemologias para o fazer arquitetônico. Ao assumir o desenho como ferramenta crítica e narrativa, o trabalho opera deslocamentos na representação disciplinar, abordando a arquitetura como gesto de reparação simbólica no espaço urbano e no próprio fazer do campo da arquitetura.
Referências
ABREU, Maurício de Almeida. Evolução urbana do Rio de Janeiro. 3. ed. Rio de Janeiro: Iplanrio, 1997.
ACADÊMICOS DO GRANDE RIO. Fala, Majeté! Sete Chaves de Exu. Samba-enredo. Duque de Caxias: G.R.E.S. Acadêmicos do Grande Rio, 2021. (Carnaval 2022)
BRASIL. Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil. 1º Diagnóstico de Gênero e Raça na Arquitetura e Urbanismo. Brasília: CAU/BR, 2022. Disponível em: https://transparencia.caubr.gov.br/diagnostico-genero-raca/. Acesso em: 30 jul. 2025.
DA MATTA, Roberto. Carnavais, malandros e heróis: para uma sociologia do dilema brasileiro. Rio de Janeiro: Zahar, 1979.
DEDECCA, Paula Gorenstein. Sociabilidade, crítica e posição: o meio arquitetônico, as revistas especializadas e o debate do moderno em São Paulo (1945-1965). 2012. Dissertação (Mestrado em História e Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012.
FLYNN, Maria Helena de Moraes Barros. Concursos de arquitetura no Brasil 1850-2000: sua contribuição ao desenvolvimento da arquitetura. 2001. Tese (Doutorado em Estruturas Ambientais Urbanas) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2001.
GOODEN, Mario. Dark Space: Architecture, Representation, Black Identity. New York: Columbia Books on Architecture and the City, 2016.
LEOPOLDI, José Sávio. Escola de samba, ritual e sociedade. Petrópolis: Vozes, 1978.
MATOS, Gabriela de. “A arquitetura é branca, elitista e machista”. Entrevista concedida a Ana Carolina Diniz. Geledés – Instituto da Mulher Negra, 24 abr. 2019. Disponível em: https://www.geledes.org.br/a-arquitetura-e-branca-elitista-e-machista/. Acesso em: 30 jul. 2025.
MELLO, Bruno César E. de. “E o negro na arquitetura brasileira?”. Vitruvius, Arquitextos, São Paulo, ano 13, n.?145.01, jun. 2012. Disponível em: https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/13.145/4372. Acesso em: 30 jul. 2025.
RUFINO, Luiz. Pedagogia das encruzilhadas. Rio de Janeiro: Mórula, 2019.
SIMAS, Luiz Antonio. Dos arredores da Praça Onze aos terreiros de Oswaldo Cruz: uma cidade de Pequenas Áfricas. Revista Z Cultural, Rio de Janeiro, n.10, abr. 2016. Disponível em: https://revistazcultural.pacc.ufrj.br/wp-content/uploads/2016/04/DOS-ARREDORES-DA-PRA%C3%87A-ONZE-AOS-TERREIROS-DE-OSWALDO-CRUZ_-UMA-CIDADE-DE-PEQUENAS-%C3%81FRICAS-%E2%80%93-Revista-Z-Cultural.pdf. Acesso em: 30 jul. 2025.
SIMAS, Luiz Antonio. O corpo encantado das ruas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2019.
SIMAS, Luiz Antonio. Tantas páginas belas: histórias da Portela. Rio de Janeiro: Verso Brasil, 2012.
UNIDOS DO VIRADOURO. Arroboboi, Dangbé. Samba-enredo. Niterói: G.R.E.S. Unidos do Viradouro, 2023. (Carnaval 2024)