Domesticidade em revista durante o regime civil-militar

Autores

  • Evelyn Maísa Hettwer Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da Universidade de São Paulo

Palavras-chave:

domesticidade, regime militar-civil, classe média

Resumo

Entre 1968 e 1973, o Brasil testemunhava o que se consagrou como "milagre econômico", período de maior crescimento percentual do PIB brasileiro, da ascensão dos estratos médios e da consolidação de uma sociedade de consumo massificada. Partindo da perspectiva de que a classe média brasileira assumiu uma posição essencial para os desdobramentos de um regime ditatorial, este artigo visa analisar como o discurso da modernização, integrado a esse sistema, foi incentivado pela publicidade de artefatos domésticos veiculados na revista “Manchete” – periódico de variedade com considerável influência na época, destinado a esse segmento social e inserido na lógica de homogeneização cultural. A disseminação de discursos vinculados a artefatos domésticos por meio da publicidade se intensificou no pós-guerra por a casa ocupar uma posição central para a classe média, não sendo interpretada apenas por sua concepção funcional, de habitat, mas pelo que poderia representar e incorporar tendo em vista seu potencial simbólico. Por tais razões, é pertinente analisar como os valores e ideais, mobilizados na modernização do Estado ditatorial, eram inseridos no espaço privado por meio dos circuitos propagandísticos, construindo modos de vida cuja influência ainda é contemporânea.

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Publicado

24-02-2026