O quarteirão como escala possível de transformação de São Paulo

Autores

  • Felipe de Souza Noto ESCOLA DA CIDADE; FAU-USP

Palavras-chave:

desenho urbano, legislação urbana, projeto de arquitetura

Resumo

A prática do planejamento urbano estabeleceu no Brasil nas últimas décadas um campo de trabalho afastado do desenho da cidade. A consolidação dos planos diretores e, sobretudo, das leis de zoneamento como ferramentas dominantes restringem a ação planejadora aos critérios de densidade e uso do solo, delegando à iniciativa privada as principais definições relativas à forma urbana. O objetivo central deste trabalho é buscar uma estratégia de enfrentamento desta condição, sob a premissa de que a legislação urbanística deve ser objeto de preocupação com o desenho da cidade. A normativa deve propor um modelo de cidade a ser alcançado, antever a forma urbana pretendida;ser, portanto, adotada enquanto ferramenta do campo disciplinar do desenho urbano. É necessária uma breve reflexão sobre o contexto do planejamento urbano brasileiro para entender o porquê do afastamento da legislação de suas obrigações com a forma.

Referências

ANTONUCCI, Denise. Morfologia urbana e legislação urbanística: estudo de setores de bairros na cidade de São Paulo no período de 1972/2002. 2005. Tese (Doutorado) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005.

ARGAN, Giulio Carlo. História da arte como história da cidade. São Paulo: Martins Fontes, 1995.

AYMONINO, Carlo. O significado das cidades. Lisboa: Editorial Presença, 1984.

BRAGA, Milton. O concurso de Brasília. Sete projetos para uma capital. São Paulo: Cosac Naify, 2010.

BRASIL. Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001. Disponível em: < https://bityli.com/zOP3G >.Acesso em: 02 nov. 2016.

BRASIL. Estatuto da Cidade: guia para implementação pelos municípios e cidadãos. 2. ed. Brasília: Câmara dos Deputados, Coordenação de Publicações, 2002.

COSTA, Lucio. Muita construção, alguma arquitetura e um milagre (1951). In: ______. Registro de uma vivência. São Paulo: Empresa das Artes, 1995. p.157-165.

DIEZ, Fernando E. Buenos Aires y algunas constantes en las transformaciones urbanas. Buenos Aires: Editorial de Belgrano, 1996.

FELDMAN, Sarah. Avanços e limites na historiografia da legislação urbanística no Brasil. Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais, n.4., p.33-47, mai. 2001.

______. Planejamento e Zoneamento. São Paulo: 1947 1972. São Paulo: Edusp/Fapesp, 2005.

FERREIRA, Marcilio Mendes; GOROVITZ, Matheus. A invenção da superquadra. Rio de Janeiro: Iphan, 2008.

FERREIRA, Paulo Emilio; RIOS, Maira. NOTO; Felipe de Souza; ZOLA, Jordana. Unidade Territorial Quadra. In: SILVA, Luis Octavio de Faria; OTERO, Ruben (Orgs.). Habitação e Cidade Volume 5. Pós Graduação da Escola da Cidade. São Paulo: ECidade, 2014. p.100-104.

FRAMPTON, Kenneth. O destino de Brasília. In: KATINSKY, Julio; XAVIER, Alberto (orgs.). Brasília Antologia Crítica. São Paulo: Cosac Naify, 2012. p.434-441.

HUET, Bernard. A cidade como espaço habitável. (Alternativas à Carta de Atenas). Revista Arquitetura e Urbanismo, São Paulo, p.82-87, dez./ jan. 1986/1987.

LYNCH, Kevin. A imagem da cidade. São Paulo: Martins Fontes, 1988.

MUMFORD, Lewis. A cidade na história. São Paulo: Martins Fontes, 2008.

NOTO, Felipe de Souza. O quarteirão como suporte da transformação urbana de São Paulo. 2017. Tese (Doutorado) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2017.

PESSOA, Jorge. Entrevista com Benjamin Adiron Ribeiro. Vitruvius, São Paulo, ano 16, n.062.02, mai. 2015. Disponível em:< https://bityli.com/oG2jd >. Acesso em: 05 maio 2016.

PORTAS, Nuno. Notas sobre intervenção na cidade existente. Sociedade e Território: revista de estudos regionais e urbanos, Porto, n.2, p.8-13, fev. 1985.

ROSSI, Aldo. A Arquitetura da cidade. São Paulo: Martins Fontes, 1995.

ROWE, Colin. La IBA entre respublica y resprivata. A&V, Madri, n.2, p.235, 1985.

ROWE, Colin; KOETER, Fred. Collage City. Cambridge, MA: The MIT Press, 1983.

SECCHI, Bernardo. Primeira lição de urbanismo. São Paulo: Perspectiva, 2006.

SENNET, Richard. O declínio do homem público: as tiranias da intimidade. São Paulo: Companhia das Letras, 1988.

VILLAÇA, Flávio. Uma contribuição para a história do planejamento urbano no Brasil. In: DEÁK, Csaba; SCHIFFER, Sueli Ramos. O processo de urbanização no Brasil. São Paulo: Edusp, 1999. p.170-243.

WISNIK, Guilherme. Modernidade Congênita. In: ANDREOLI, Elisabeta; FORTY, Adrian (orgs.). Arquitetura moderna brasileira. Londres: Phaidon, 2004.p.22-25.

Downloads

Publicado

11-07-2020